Iniciar projeto ou fase: quando a vontade vira projeto

Peter Mello ·

Toda empresa tem uma lista de coisas que precisam ser feitas. Parte dessa lista nunca sai do lugar, e não por falta de vontade. Ninguém decidiu que aquilo era um projeto, com um responsável e alguém disposto a pagar por ele.

O Pandora Solver ficou nessa condição por cerca de dois anos, entre conversas e rascunhos, só como uma coleção de ideias de bons amigos, até virar um projeto em janeiro de 2025.

O Guia PMBOK trata a iniciação como o processo que autoriza formalmente um projeto ou uma fase e tem como saída o Termo de Abertura do Projeto (TAP). A definição parece burocrática. Na prática, o TAP responde a perguntas que costumam ficar sem resposta: qual problema o projeto resolve, quem responde por ele e quanto a organização aceita gastar para tê-lo.

No caso do Pandora Solver, a pergunta que destravou a decisão foi feita pelo Jefferson, diante de um quadro branco: isso aqui já é um projeto ou ainda é uma vontade? O TAP que saiu daquela reunião tinha duas páginas. Constavam o problema (o dado de campo leva semanas para chegar a quem decide), o patrocinador, o responsável técnico, um orçamento de partida e a data meta para o primeiro protótipo.

É importante frisar que o TAP não é o plano do projeto. Ele não tem cronograma detalhado nem EAP (Estrutura Analítica do Projeto, a árvore que quebra o trabalho em pacotes). Sua função é anterior: registrar que a organização decidiu, e em que termos. Projetos que começam sem esse registro tendem a ser renegociados a cada reunião, porque cada participante lembra de uma versão diferente da decisão.

Percebe-se, tanto em obra quanto em software, que o custo de formalizar a abertura se mede em horas. O custo de não formalizar aparece meses depois, quando o escopo cresceu sem que ninguém autorizasse e o orçamento acabou sem que ninguém percebesse.

No Pandora Solver, é no TAP que nasce o Fio Digital: o primeiro registro ao qual toda decisão posterior fica ligada. Sem um ponto de partida formal, não há a que ligar.

Este texto abre uma coleção. A intenção é contar a história do Pandora Solver e, no caminho, destacar os pontos que consideramos importantes em uma metodologia de projetos apoiada nas boas práticas preconizadas pelo PMI. Não partimos de um método pronto. Partimos da experiência acumulada em outros projetos e de um bom conhecimento dessas práticas, que pretendemos mostrar aplicadas a um caso real, com os acertos e os atalhos.

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